quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Encontros tinder: O homem de dois corações.

A gente nunca decide ao certo quando é hora de se apaixonar, acho que o correto seria se não nos apaixonássemos nunca. A paixão nos toma quando ainda não estamos preparados para ela... ela simplesmente chega sem aviso, hoje em dia vejo que fujo de paixões, pois minha vida já é tão complicada.
Mas eis aqui o mais novo coração apaixonado... não que isso seja de fato totalmente ruim, mas na atual situação é sem cabimento.
Foram cinco meses, de encontros furtivos, deliciosos, cheio de carinhos, como o pensamento mais racional possível, mas e agora que o fim chegou... como não sentir o coração apertado dentro do peito, como saber lidar com a saudade, como administrar a perda? Como ser racional agora? Não sei responder, só sinto e sinto muito que isso tudo tenha acontecido.
Lembro que da primeira vez que conversamos, ele pareceu tão sincero, amoroso, tão interessante que era impossível não querer falar com ele todos os dias... a gente se entendia, se apoiava e principalmente curava a carência um do outro.
Como esquecer ele aparecendo num domingo a noite de repente na minha porta, depois de um dia de choro? Lembro do primeiro carinho, trocado meio sem jeito, meio sem graça... naquela noite falei, que ele era perigoso, pois era um cara apaixonante e que não era aquilo que eu estava disposta a viver... ele apenas riu, disse que era apenas para eu viver.
Era um turbilhão, sentimentos antigos e novos, o cheiro dele me levava para lugares em que eu queria estar, ele era o novo, o inesperado, era a reconquista da minha autoestima, depois de anos vivendo uma relação de amor e ódio. Ele era a esperança que eu poderia novamente me amar e ser amada.
As conversas e os telefonemas eram ternos, cheios de amizade, conversávamos sobre o dia, e eram emoticons para cá e para lá. Muitos corações e carinhas apaixonadas.
Não percebi quando nem como, simplesmente me envolvi e deixei me envolver... cada dia que passava sem ter contato era uma tortura de horas, falta mesmo de ter com quem compartilhar o dia, tão longo e estressante.
E assim eu fui me deixando levar, pelas noites e momentos de carinho, afeto, tesão e de muita cumplicidade, ele me contava tudo e eu meio sem saber no que acreditar se aquilo tudo era real. Aprendemos a nos conhecer, a entender um ao outro meio sem saber.
Sim, foram cinco meses lutando para não se apaixonar totalmente, tentando manter o controle, e não deixar que tudo aquilo virasse algo ainda mais sem propósito. Eu tinha plena consciência desde o começo, que não tínhamos futuro, que assim como um paciente terminal... eu via aos poucos o fim. Todo encontro poderia ser o último...
A paixão agonizava e a cada momento toda aquela tortura parecia interminável, no fundo, não queria que acabasse, eu queria apenas ficar ali para sempre. Mas o tempo inimigo dos amantes estava passando rápido e eu sem saber o que fazer.
Ontem, nosso último e maravilhoso encontro... cheio de carinho e de tristeza, cheio de paixão e desesperança, não tínhamos mais tempo... eu não conseguia mais ser racional... o último beijo e o último abraço... sentei no carro depois de deixá-lo e chorei por trinta minutos, prometi que não voltaria atrás e que não dava mais para ser a amante, sim ela estava para vir morar definitivamente com o marido, e tudo que eu não queria era destruir uma família... não queria separá-los, passei todo esse tempo falando que ele deveria tentar e não desistir, contrariando toda minha vontade de dizer larga tudo e fica comigo. Sei que não fiz errado, que resolvi bater em retirada, antes que a artilharia pesada chegasse, me entreguei, fui prisioneira nessa guerra, e assim que tive oportunidade fugi e hoje sei que o meu coração está em algum campo de refugiado e ficará lá por tempo indeterminado.
Liguei o carro e rodei mais uma hora sem rumo... ela estava vindo e eu indo embora de vez. 

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