Hoje ninguém consegue imaginar um mundo sem telefone celular, computador e internet. Eu, por exemplo, não consigo imaginar o que seria de mim sem eles. Uma vida sem poder falar com alguém enquanto estou numa fila de banco ou quando estou saindo do supermercado, às vezes é só para me ajudar a encarar uma realidade penosa, outras tantas é para resolver problemas (meus ou dos outros).
No fim das contas, acabei ficando escrava do meu celular, pois não carrego mais relógio, agenda ou câmera digital, tudo que preciso quando saio é esse pequeno e moderno aparelho. Porém, não sou daquelas viciadas em conversar longas pelo fone, converso sempre o necessário (e isso não incluí uma “fossa” de amiga, que pode demorar de uma hora ou até mais, isso depende da canalhice do namorado e de quanto ela anda sensível, graças a Deus ultimamente essas ligações andam ficando raras no meu meio, não porque todas andam de bem com os seus relacionamentos, mas porque estamos vivendo uma época de estiagem amorosa!), enfim celular é só em casos necessários, e ficar numa fila gigante sem perspectiva de fim é um desses casos.
Outro dia esqueci meu celular em casa, sabe como é, ir dormir tarde por causa da internet (você vai só olhar seus e-mails, então liga o msn, que puxa uma entradinha no Orkut, quando você percebe não conseguiu responder os e-mails, mas respondeu todos os “scraps”, entrou na página do seu ex e da atual namorada dele, enfim, termina a noite arrasada e promete que nunca mais irá fazer isso, até a noite seguinte!), mas continuando, fui dormir tarde, quando meu celular-despertador tocou desliguei dormindo, 10 minutos depois novamente o mesmo processo de toca e desliga, isso acontece mais dois vezes, até que finalmente acordo 40 minutos atrasada! Enfim, acabei deixando meu celular em casa, paciência, não vou morrer só porque meu celular não está comigo.
Uma hora de abstinência, sei que posso resistir mesmo me sentindo um pouco nua. Preciso do telefone da minha depiladora, entro num pequeno desespero, preciso marcar uma hora, pois já estou quase um macaquinho e não terei tempo se não for hoje. O que fazer? Relaxo, voltarei aos métodos arcaicos – a gilete. Merda, se o Beto me ligar para sair logo essa semana? Eu não vou sair toda empipocada por causa de gilete, vai que ele queira finalmente ultrapassar a barreira de amigos que se atraem para um irresistível caso? Respiro fundo... na hora do almoço dou uma escapadinha e vou buscar meu celular.
O telefone da minha mesa toca. “Alô filha, você esqueceu seu celular, ele já tocou umas três vezes, devo atender?”, três segundos para pensar e responder, fora a vontade incontrolável de pedir para ela me socorrer trazendo meu amiguinho até mim. Respire, pense e responda. E se for o Beto? “Não mãe, não precisa. Passo aí e pego na hora do almoço.”, uma pausa “então filha, bom dia para você”, ela desliga, e eu nem perguntei se ela podia ver quem me ligou. Merda, quem será que me ligou? No entanto, agora só faltam duas horas, preciso e vou resistir. Não deve ser o Beto, ele está trabalhando agora. Talvez alguma amiga em perigo, não, todas tem o meu número do trabalho e também a maioria me manda e-mail nesse horário. Só pode ser o Sr. Armando, tentando me caçar para resolver algum pepino, se for ele estou perdida, meu Deus! E se for urgente? Serei despedida. Ligo para minha casa.
“Mãe, sou eu. Vê para mim o número que me ligou fazendo o favor”, ouço o barulhinho das teclas do meu celular, soam como música regida pelos dedos da minha mãe” Filha o número está como não registrado.”, e agora? “Todas as três chamadas são do mesmo número?”, responda que não, vai mãe me ajuda. “Todas as chamadas são de números sem identificação.”, agradeço desolada colocando o fone no gancho. Quem será que anda me procurando? E se for o cara de sábado? Ele pegou meu telefone, não pode ser justo ele que eu não me interessei me ligar. Só pode ser ele, mas que azar pelo menos se fosse o Beto.
Só mais uma hora e darei fim a essa tortura. Meu telefone toca de novo, é a minha chefe com cara de coala. “Oi, eu preciso que você ligue para o Sr. Armando, ele ficou de entregar um contrato e até agora não retornou.”, ocupação, era isso que eu precisava, busco na minha agenda de papel o número do homem do pepino, adivinhem, não encontro, essa minha mania de registrar tudo só no celular. Entro em pânico, respiro fundo e procuro nos e-mails e encontro o telefone. Nada como a internet nessas horas de aperto. Como eu amo toda essa tecnologia!
Agora faltam apenas dez minutos para o almoço. Organizo minha mesa, o telefone toca de novo. “Oi sou eu, a gente pode almoçar juntas?”, era uma amiga, e agora? Recuso por causa do meu celular? “O Leo me ligou agora falando para a gente ir conversar, tentar resolver as coisas. Não sei o que fazer e preciso conversar com você.”, não tenho como recusar. Por que as amigas são tão importantes? Porque são elas que nos amparam quando o ex, que ainda amamos, nos liga para conversar depois de meses de silêncio. Crio então um plano B e combino de almoçar perto da minha casa. Tem que dar tempo. Contrariando minhas expectativas tudo dará errado, é a lei de Murphy!
Meio dia e dez, chego ao restaurante. Minha amiga ainda não chegou, fico tentada a pedir um refrigerante, mas lembro dos últimos dois meses que ando lutando contra as celulites que avançam rapidamente pelo meu bumbum. Um suco. Com açúcar ou adoçante? Claro que com adoçante! Seria ótimo, mas peco e peço com açúcar. Vamos deixar de ser neuróticas, eu odeio adoçante e não é o suco que irá me engordar, e o que são algumas calorias a mais? O homem que quero não se importa se eu engordo ou se tenho celulite, ele tem que gostar de mim pelo meu papo, inteligência e senso de humor. Quem eu quero enganar? Arrependo-me por ter pedido com açúcar, mas pelo menos o suco estava bom. A vida é feita de pequenos prazeres e um deles é tomar suco com açúcar!
Quinze minutos depois ela ainda não chegou. Será que aconteceu alguma coisa? Procuro automaticamente na bolsa meu celular. Merda. E agora? Passa mais dez minutos ela ainda não chegou e não dá para esperar mais, me sirvo e começo a almoçar sozinha. Fico pensando o que teria acontecido. Talvez ela tenha apenas se atrasado, ou tenha tido outro compromisso, será que ela sofreu algum acidente. Começo a ficar paranóica, por isso, tento apenas me concentrar na comida. Olho para o meu prato recheado de salada e de um frango grelhado, quem eu quero enganar? Odeio essa alimentação saudável e essa dieta, fico com vontade de levantar e pegar um pedaço suculento de lasagna. Quanto tempo faz que não como massa? Sua burra semana passada, quando saiu com o Beto para comer pizza! Resolvo ser persistente e não pegar um pedaço de lasagna, mas peço sobremesa. Um pedaço de céu em forma de torta alemã. Segundo pequeno prazer do dia: comer lentamente sentindo o chocolate derretendo na boca e acumulando no quadril.
Agora, tenho só dez minutos para pegar meu celular e voltar para o trabalho, sem esperanças de saber o motivo do bolo da amiga confusa. Infelizmente, o caminho entre o restaurante-casa-trabalho é recheado de semáforos. Vou me atrasar de novo. Resolvo deixar o celular para trás e ir direto para o trabalho. Sobreviveu-se a essa manhã, sobrevive-se ao resto do dia. O Beto não vai me ligar e, se ele não ligar, também diminui a necessidade de me depilar. O importante agora é não chegar atrasada duas vezes no mesmo dia. Como é difícil tomar decisões centradas.
Chego a tempo ao escritório. A tempo de ver: a cara de coala com seu sorriso politicamente correto, a estagiária meiguinha e a minha mesa se enchendo de papéis. O mundo maravilhoso do trabalho, cheio de fantasia e empolgação. E apesar dessa maravilha, só penso no meu celular. A tarde passa com o mesmo jeitão da manhã. Ou seja, com momentos de angustia, desespero, paranóia, mas também de pequenos prazeres vividos, um elogio da chefe, uma pendência resolvida, um trabalho bem feito e claro, no final de tudo sobrevivi sem meu celular. Quando terminou o dia, eu me senti orgulhosa por ter conseguido, por não ter enlouquecido e determinei que a partir desse dia não seria tão dependente desse aparelhinho. É regra a gente se enganar quando estamos orgulhosas.
Seis e meia, chego enfim em casa. Só tenho um pensamento, onde está meu celular. Saio correndo, mal cumprimento minha mãe, a tortura do dia vai acabar. Ele estava lá, sozinho entre meus pertences, tão desolado como eu, tenho a impressão que se ele pudesse falar, falaria que também sentiu minha falta, que não quer mais ser esquecido. Vejo as ligações não atendidas, saldo: 6 ligações não identificadas, 2 ligações da amiga confusa e mais 3 chamadas de trabalho. Sem Beto! Quem sabe nas mensagens?! Saldo final das mensagens: 1 da amiga perdida dizendo que não iria almoçar, pois teria que trabalhar mais um pouco, e uma da operadora de telefonia. Decepção e curiosidade, quem será que me ligou de manhã? Seja lá quem for terá que me ligar de novo.
Último pequeno prazer do dia: “alô, oi sou eu!”, pausa... respiro fundo o número não é conhecido mas a voz, olho a hora onze horas, tremo, um fio de esperança, era o Beto. “Oi, eu sei”, burra! Ele vai saber que você esperou por esse telefonema o dia todo. Um riso, “te liguei hoje de manhã umas 5 vezes, você não atendeu, aconteceu alguma coisa?”, respiro e explico o esquecimento. “liguei”... uma pausa, vai fala!!! “então liguei para perguntar se você pode me dar o número daquele encanador que arrumou seu banheiro”, um cano furado, claro, fazer o que? Engolir a decepção. “Obrigado”, um silêncio. “ Então legal”, mais um silêncio. Tenho que dizer alguma coisa, quem sabe xingar ele? Como ser sensata aos quase trinta e sendo solteira? Como ser sensata quando o que você mais quer é perder a cabeça? Um cano quebrado, um coração despedaçado e uma esperança desfeita. “É legal, boa sorte com seu cano.”, eu não tinha mais o que falar, na verdade tinha, mas calar era melhor. “Beleza então, anota aí meu número novo”. Um tchau.
Epílogo: duas semanas mais tarde, um cano concertado, uma amiga renovada depois que não sucumbiu à tentação do ex-namorado canalha, um emprego mantido sem atrasos, um fora no cara persistente e apenas uma vontade – ir ao cinema sozinha.
No fim das contas, acabei ficando escrava do meu celular, pois não carrego mais relógio, agenda ou câmera digital, tudo que preciso quando saio é esse pequeno e moderno aparelho. Porém, não sou daquelas viciadas em conversar longas pelo fone, converso sempre o necessário (e isso não incluí uma “fossa” de amiga, que pode demorar de uma hora ou até mais, isso depende da canalhice do namorado e de quanto ela anda sensível, graças a Deus ultimamente essas ligações andam ficando raras no meu meio, não porque todas andam de bem com os seus relacionamentos, mas porque estamos vivendo uma época de estiagem amorosa!), enfim celular é só em casos necessários, e ficar numa fila gigante sem perspectiva de fim é um desses casos.
Outro dia esqueci meu celular em casa, sabe como é, ir dormir tarde por causa da internet (você vai só olhar seus e-mails, então liga o msn, que puxa uma entradinha no Orkut, quando você percebe não conseguiu responder os e-mails, mas respondeu todos os “scraps”, entrou na página do seu ex e da atual namorada dele, enfim, termina a noite arrasada e promete que nunca mais irá fazer isso, até a noite seguinte!), mas continuando, fui dormir tarde, quando meu celular-despertador tocou desliguei dormindo, 10 minutos depois novamente o mesmo processo de toca e desliga, isso acontece mais dois vezes, até que finalmente acordo 40 minutos atrasada! Enfim, acabei deixando meu celular em casa, paciência, não vou morrer só porque meu celular não está comigo.
Uma hora de abstinência, sei que posso resistir mesmo me sentindo um pouco nua. Preciso do telefone da minha depiladora, entro num pequeno desespero, preciso marcar uma hora, pois já estou quase um macaquinho e não terei tempo se não for hoje. O que fazer? Relaxo, voltarei aos métodos arcaicos – a gilete. Merda, se o Beto me ligar para sair logo essa semana? Eu não vou sair toda empipocada por causa de gilete, vai que ele queira finalmente ultrapassar a barreira de amigos que se atraem para um irresistível caso? Respiro fundo... na hora do almoço dou uma escapadinha e vou buscar meu celular.
O telefone da minha mesa toca. “Alô filha, você esqueceu seu celular, ele já tocou umas três vezes, devo atender?”, três segundos para pensar e responder, fora a vontade incontrolável de pedir para ela me socorrer trazendo meu amiguinho até mim. Respire, pense e responda. E se for o Beto? “Não mãe, não precisa. Passo aí e pego na hora do almoço.”, uma pausa “então filha, bom dia para você”, ela desliga, e eu nem perguntei se ela podia ver quem me ligou. Merda, quem será que me ligou? No entanto, agora só faltam duas horas, preciso e vou resistir. Não deve ser o Beto, ele está trabalhando agora. Talvez alguma amiga em perigo, não, todas tem o meu número do trabalho e também a maioria me manda e-mail nesse horário. Só pode ser o Sr. Armando, tentando me caçar para resolver algum pepino, se for ele estou perdida, meu Deus! E se for urgente? Serei despedida. Ligo para minha casa.
“Mãe, sou eu. Vê para mim o número que me ligou fazendo o favor”, ouço o barulhinho das teclas do meu celular, soam como música regida pelos dedos da minha mãe” Filha o número está como não registrado.”, e agora? “Todas as três chamadas são do mesmo número?”, responda que não, vai mãe me ajuda. “Todas as chamadas são de números sem identificação.”, agradeço desolada colocando o fone no gancho. Quem será que anda me procurando? E se for o cara de sábado? Ele pegou meu telefone, não pode ser justo ele que eu não me interessei me ligar. Só pode ser ele, mas que azar pelo menos se fosse o Beto.
Só mais uma hora e darei fim a essa tortura. Meu telefone toca de novo, é a minha chefe com cara de coala. “Oi, eu preciso que você ligue para o Sr. Armando, ele ficou de entregar um contrato e até agora não retornou.”, ocupação, era isso que eu precisava, busco na minha agenda de papel o número do homem do pepino, adivinhem, não encontro, essa minha mania de registrar tudo só no celular. Entro em pânico, respiro fundo e procuro nos e-mails e encontro o telefone. Nada como a internet nessas horas de aperto. Como eu amo toda essa tecnologia!
Agora faltam apenas dez minutos para o almoço. Organizo minha mesa, o telefone toca de novo. “Oi sou eu, a gente pode almoçar juntas?”, era uma amiga, e agora? Recuso por causa do meu celular? “O Leo me ligou agora falando para a gente ir conversar, tentar resolver as coisas. Não sei o que fazer e preciso conversar com você.”, não tenho como recusar. Por que as amigas são tão importantes? Porque são elas que nos amparam quando o ex, que ainda amamos, nos liga para conversar depois de meses de silêncio. Crio então um plano B e combino de almoçar perto da minha casa. Tem que dar tempo. Contrariando minhas expectativas tudo dará errado, é a lei de Murphy!
Meio dia e dez, chego ao restaurante. Minha amiga ainda não chegou, fico tentada a pedir um refrigerante, mas lembro dos últimos dois meses que ando lutando contra as celulites que avançam rapidamente pelo meu bumbum. Um suco. Com açúcar ou adoçante? Claro que com adoçante! Seria ótimo, mas peco e peço com açúcar. Vamos deixar de ser neuróticas, eu odeio adoçante e não é o suco que irá me engordar, e o que são algumas calorias a mais? O homem que quero não se importa se eu engordo ou se tenho celulite, ele tem que gostar de mim pelo meu papo, inteligência e senso de humor. Quem eu quero enganar? Arrependo-me por ter pedido com açúcar, mas pelo menos o suco estava bom. A vida é feita de pequenos prazeres e um deles é tomar suco com açúcar!
Quinze minutos depois ela ainda não chegou. Será que aconteceu alguma coisa? Procuro automaticamente na bolsa meu celular. Merda. E agora? Passa mais dez minutos ela ainda não chegou e não dá para esperar mais, me sirvo e começo a almoçar sozinha. Fico pensando o que teria acontecido. Talvez ela tenha apenas se atrasado, ou tenha tido outro compromisso, será que ela sofreu algum acidente. Começo a ficar paranóica, por isso, tento apenas me concentrar na comida. Olho para o meu prato recheado de salada e de um frango grelhado, quem eu quero enganar? Odeio essa alimentação saudável e essa dieta, fico com vontade de levantar e pegar um pedaço suculento de lasagna. Quanto tempo faz que não como massa? Sua burra semana passada, quando saiu com o Beto para comer pizza! Resolvo ser persistente e não pegar um pedaço de lasagna, mas peço sobremesa. Um pedaço de céu em forma de torta alemã. Segundo pequeno prazer do dia: comer lentamente sentindo o chocolate derretendo na boca e acumulando no quadril.
Agora, tenho só dez minutos para pegar meu celular e voltar para o trabalho, sem esperanças de saber o motivo do bolo da amiga confusa. Infelizmente, o caminho entre o restaurante-casa-trabalho é recheado de semáforos. Vou me atrasar de novo. Resolvo deixar o celular para trás e ir direto para o trabalho. Sobreviveu-se a essa manhã, sobrevive-se ao resto do dia. O Beto não vai me ligar e, se ele não ligar, também diminui a necessidade de me depilar. O importante agora é não chegar atrasada duas vezes no mesmo dia. Como é difícil tomar decisões centradas.
Chego a tempo ao escritório. A tempo de ver: a cara de coala com seu sorriso politicamente correto, a estagiária meiguinha e a minha mesa se enchendo de papéis. O mundo maravilhoso do trabalho, cheio de fantasia e empolgação. E apesar dessa maravilha, só penso no meu celular. A tarde passa com o mesmo jeitão da manhã. Ou seja, com momentos de angustia, desespero, paranóia, mas também de pequenos prazeres vividos, um elogio da chefe, uma pendência resolvida, um trabalho bem feito e claro, no final de tudo sobrevivi sem meu celular. Quando terminou o dia, eu me senti orgulhosa por ter conseguido, por não ter enlouquecido e determinei que a partir desse dia não seria tão dependente desse aparelhinho. É regra a gente se enganar quando estamos orgulhosas.
Seis e meia, chego enfim em casa. Só tenho um pensamento, onde está meu celular. Saio correndo, mal cumprimento minha mãe, a tortura do dia vai acabar. Ele estava lá, sozinho entre meus pertences, tão desolado como eu, tenho a impressão que se ele pudesse falar, falaria que também sentiu minha falta, que não quer mais ser esquecido. Vejo as ligações não atendidas, saldo: 6 ligações não identificadas, 2 ligações da amiga confusa e mais 3 chamadas de trabalho. Sem Beto! Quem sabe nas mensagens?! Saldo final das mensagens: 1 da amiga perdida dizendo que não iria almoçar, pois teria que trabalhar mais um pouco, e uma da operadora de telefonia. Decepção e curiosidade, quem será que me ligou de manhã? Seja lá quem for terá que me ligar de novo.
Último pequeno prazer do dia: “alô, oi sou eu!”, pausa... respiro fundo o número não é conhecido mas a voz, olho a hora onze horas, tremo, um fio de esperança, era o Beto. “Oi, eu sei”, burra! Ele vai saber que você esperou por esse telefonema o dia todo. Um riso, “te liguei hoje de manhã umas 5 vezes, você não atendeu, aconteceu alguma coisa?”, respiro e explico o esquecimento. “liguei”... uma pausa, vai fala!!! “então liguei para perguntar se você pode me dar o número daquele encanador que arrumou seu banheiro”, um cano furado, claro, fazer o que? Engolir a decepção. “Obrigado”, um silêncio. “ Então legal”, mais um silêncio. Tenho que dizer alguma coisa, quem sabe xingar ele? Como ser sensata aos quase trinta e sendo solteira? Como ser sensata quando o que você mais quer é perder a cabeça? Um cano quebrado, um coração despedaçado e uma esperança desfeita. “É legal, boa sorte com seu cano.”, eu não tinha mais o que falar, na verdade tinha, mas calar era melhor. “Beleza então, anota aí meu número novo”. Um tchau.
Epílogo: duas semanas mais tarde, um cano concertado, uma amiga renovada depois que não sucumbiu à tentação do ex-namorado canalha, um emprego mantido sem atrasos, um fora no cara persistente e apenas uma vontade – ir ao cinema sozinha.
muito adolescente
ResponderExcluir